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quarta-feira, 10 de julho de 2013

SALMO QUE NÃO ME SALVA

Distante Beleza
(Hugo Martinelli)

Ainda que caminhe sozinho
pelo vale da sombra do amor,
nada temerei.

Sigo meu caminho
De tristeza e de dor,
Inerente ao que faço, ao que sou, ao que escolherei.

Dizem que entre todas as belezas,
A mais bela,
É aquela cujo perfume podemos sentir,
Cujo sorriso podemos apreciar,

A suavidade da voz nos acaricia os ouvidos,
Aguça os sentidos,
Mas é apenas para quiçá ser contemplada com um olhar,
Jamais a poderei tocar, ou teu sorriso beijar.

Triste é o meu olhar,
Sempre de canto, cedendo aos teus encantos,
Calado como um sufocado pranto,
Que pela pequena gota da lágrima grita para libertar
O sentimento de um momento que ela preferiu calar

Sozinho estou e sozinho vou
Pra onde eu não sou
Pra onde não há paixão nem amor
Acho que não tenho pra onde ir então
É que sem enganação, disso vive a desilusão desse estúpido coração!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

AMOR QUE NÃO FOI AMADO, FICOU NO PASSADO


Um dia desses, algo do amor
(HUGO MARTINELLI)

Enquanto uma bela música toca,
Minh’alma sufoca
Desesperada por procurar
Algo que não se permite encontrar

A música acabou
O lugar se aquietou
Apesar de que
Nada se pode fazer

O silêncio parece maior
Que os pequenos barulhos lá fora
A voz emitida de mim mesmo
Nem posso escutar agora

Faltam-me as palavras,
Até mesmo os sons
Ainda que não meus, em todos os tons
Pudera que fossem teus

Esse algo já pode ter sido encontrado
Só que estando nesse estado
Paralisado, sensibilidade faltando
Quase que esgotando, não o querendo encontrar

Não mais,
Ou devesse tentar
Matar essa vontade curiosa que está me matando
Do que estou afinal falando?

O que talvez não devesse
Hoje já fiz
O som que tanto quis
Me deixou um tanto mais feliz

Algumas horas já se passaram desde então
Já não mais estou ouvindo aquele doce som
Que acredito, tenha ficado feliz em saber
Que falta vai me fazer

Olho pela janela
E atrás da minha transparente imagem
Vejo nos frios pingos da chuva
A bela imagem daquele som

Me jogo no canto
Lembro da música, canto
E pronto, quando me vejo
lembro que sou eu sentindo saudades

De algum dia naquela pequenina cidade,
Onde o som não era apenas tom
Todos os tons daquele mesmo som
Era a mais bela imagem diante dos meus olhos

É o algo que foi encontrado
Não tente entender
Nem se esconder
Se não o procurar, ele acaba encontrando você

quinta-feira, 23 de maio de 2013

NO INÍCIO DO FIM ESTAMOS SEMPRE NO MEIO


Algumas vezes voltamos pra casa no fim de todos os ocorridos do dia e é inevitável uma tristeza que não se explica, uma solidão. Não por ser uma tristeza de imensidão tamanha que não lhe permitirá mais apreciar a vida, mas sim aquele momento único que te faz pensar e refletir sobre a vida e os seus feitos. É uma perspectiva completamente maniqueísta, mas creio que é preciso às vezes nos permitir sentir tristes para podermos depois ter capacidade plena de apreciar com verdade os momentos felizes. Assim, deixo com vocês meu mais novo trabalho. Espero que gostem!

No fim
(Hugo Martinelli)

É que no fim sempre estou só
É uma solidão de dar dó
É saudade de pai, mãe e colo de vó
Minha cabeça chega dar nó

No fim do final sou só eu sozinho outra vez
É uma tristeza infindável
É uma possibilidade de transparecer através
É um olhar lá no fundo da paisagem o inefável

É no fim sempre o princípio do início
É o meio do momento propício
É que sempre sou eu desacreditado sem malícia
Que mal há em querer apenas uma carícia

É o calor do vento frio que me atravessa
É o silencio de nem mais uma conversa
É o meu eu que não acredita nem mais em mim
O que será então que estou fazendo aqui

É que são tantas dúvidas
É que são tantos recomeços
É um saber não querer mais lidar com tropeços
Minha cara tão sem graça e pálida

É o lugar certo, a hora certa e as pessoas
É que nem sei se esse fim é somente começo
É um não saber mentindo que tô de boa
Vai parando por aí com tanto apreço

É que olho as coisas mais lindas beleza não vejo
É que esse meio começou e pago o preço
É que nas mais torpes idéias velejo
O frio gelado me abraça e não me aqueço

É que sofro assim talvez porque mereço
É um bicho complicado pelo avesso
É num lindo sorriso que me entristeço
Não sei nem mais com o que pareço

É sentado aqui olhando a esmo
É questionando o que faço de mim mesmo
É um banco de madeira num cenário fantástico
Que quase me chamo de lunático

É que no fim, todo fim é fim
É o fim não se sabe se de mim
É uma graça quase arlequim
Me faço sentir tão banal assim

É uma redundante tristeza triste, triste fim
É uma ausência de tudo que me faz feliz
É que no fim, todo triste fim é triste
Mas não tão triste que não possa ser alegre

No fim, é o fim...

terça-feira, 14 de maio de 2013

SURREAL

Surreal Vida Real Casal 
(Hugo Martinelli) 


Pudera escolher entre o bem e o mal 
Não foste até o final 
Mas de volta ao mundo real 
Deixaste ali um amor sem igual


Já no primeiro momento 
Cruzaram olhares 
E num total encantamento 
Surgiu algo maior que os sete mares


Falei do fim e falei do princípio
Era este o momento propício
Pra que seu olhar se tornasse um vício
Queria teu beijo no fim, no meio e no início


E mesmo aquele que o amor nunca sentiu
Não entendeu como ela seu coração invadiu
Até mesmo com uma tentativa de fuga
Viu que a amizade ao amor ajuda


Foi assim que ninguém da tela desgruda 
Pra ver um sentimento que se desnuda 
Ahhh, Esse casal! Surreal? Talvez normal? 
Em que planeta, Bial? 


Nanda, Fê, Fernanda 
Como criança pra dançar ciranda 
Se joga, vive, erra, aprende 
Da vida não se arrepende 


André, aquele “leke”, menino, cheio de brilho 
Um cara centrado, irmão, amigo 
Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo 
Viu o lindo presente que lhe trouxe o vento 


E foi assim que por apenas um momento 
Se pensou findar o encantamento 
Por um segundo, um tormento 
Sua timidez, talvez, um argumento 


Por quem sabe não saber o que dizer 
Vou citar um tal de Gessinger 
“Foi na hora da canção em que eles dizem "baby" 
Ah...vida real! Como é que eu troco de canal?” 


Ah... vida surreal! Vida de casal 
Me belisca se é real, noites e noites no mesmo canal 
Ser ou não ser... não apenas mais um Global 
É a real vida surreal até o fim do final 


Uma história entrou por aquela porta 
E o que importa é que nada mais importa 
Agora são nossos e tudo neles nos encanta 
E quem quiser que conte outra

sábado, 11 de maio de 2013

DA EFEMERIDADE DAS LINDAS HISTÓRIAS

Efêmero
(Hugo Martinelli)


Quero querer você
Sentir teu corpo e o meu arder
Em fogo, em brasa, me leva pra casa
E deixa acontecer o que tiver que ser

Me ame no seu mundo
como um cão vagabundo
pedindo atenção
me joga fora e me deixa na mão

Que o vento se encarrega de me levar pra algum lugar
Não sei mais o que dizer ou o que pensar
Pra essas palavras embelezar

E de você conseguir o que só quero conquistar
só não me ame e vamos ver no que vai dar
uma história linda e louca pra contar

terça-feira, 23 de abril de 2013

ENCONTRO QUE NÃO ENCONTREI



Subo no ônibus, parti de viagem, já havia acordado pensando nela, música nos ouvidos e começamos a rodar. Pensamentos soltos começaram a rimar e de repente uma vontade incontrolável de transcrever o que sentia. Numa viagem longa os pensamentos foram surgindo a medida que ia me afastando mais e mais de onde saí e me aproximando do meu destino. Confiram o resultado.

Será que seria você
(Hugo Martinelli)

Se recebo de ti uma palavra, uma letra
Meu coração acelera, aperta
A porta que outrora fechada, entreaberta
Nada me acalma ou me aquieta

Olho pela janela tudo em movimento
Hoje você foi meu primeiro pensamento
E ainda nem tivemos um pequeno momento
Que estranho já tanto envolvimento

Gosto de você, assim do seu jeito
Pequena, assim serena
Desejo seu colo, recostarme no teu peito
Tua frequência na sintonia da minha antena

Como do teu olho posso já gostar assim
Até parece que foi feita pra mim
Miro tua boca e só teu bejo eu quero
De leve até meu estado de espírito altero

É que foste me conquistando com tanto esmero
Tão rápido e sem lero lero
Sem cobranças ou autorização do clero
Sem promessas e eu te amos em que me ferro

Gosto do teu cabelo e de como recorta teu rosto
Não somos os mesmos e nem o oposto
Será que seria você ela o meu ser
Isso é o que vamos ver

Venho te sintonizando a tanto tempo
E vieste assim como trazida pelo vento
Não te espero e mesmo assim te procuro
Nunca mais vou me calar,  vou gritar pro mundo

Enfia o pé na porta desse coração profundo
Mergulha de cabeça e vai mais fundo
Me sacode e me tira de órbita
Não me deixe nem uma angustia ínfima

Isso porque você é puro poema e poesia
Quero querer tua companhia
Fazer de tudo pra ganhar você já não é normal
Uma sina, um amor absurdo no plural

Na minha vida as coisas mudam sem parar
Será que é só até você chegar
Pois nesse teu jeito de menina
Toda verdade se transparece na sua retina

Como vou saber se é você pra eu estar
Se nesses nossos mundos tudo é tão desigual
Me ensina como decifrar ou como não te amar
Porque sinto até algo divino e paranormal

Não aguento mais estar tão a flor da pele
No ouvido toca um pouco de Adele
Pela janela movimento e sigo viagem
Já não sei se duvido ou tenho coragem

Ainda não sei no que isso vai dar
Mas é estranho ser de manhã meu primeiro pensar
Especial, essencial é te fazer muito feliz
Um leve beijo na ponta do seu nariz

Feche os olhos e na busca dê a volta ao mundo
Ao abri-los lembre o que significa pra mim
Assim não me perco, não sumo, não afundo
Só nós dois a bordo, loucos, poucos, boa viagem